Como uma relação narcisista tira a sua vontade de viver
Ela apareceu diante da câmera com o rosto branco, apagado, olhos fundos como poços que não viam luz havia muito tempo. Era uma tarde comum para o calendário, mas incomum para a alma — o tipo de tarde em que a vida silencia por dentro.
Foi assim que Débora chegou até mim.
Não entrou por uma porta, nem se sentou numa poltrona acolchoada. Ela chegou pela tela, numa chamada de vídeo, como se o último fôlego de vida encontrasse um túnel digital para pedir socorro.
“Eu não estou vivendo mais”, disse. “Eu só queria desaparecer.”
E eu fiquei ali, olhando para ela, com o coração em punho. Porque a dor atravessa fibra ótica. Porque a voz trêmula ecoa na alma mesmo sem toque. Porque, como psicanalista, aprendi que não importa o meio: quando a vida pede socorro, é preciso escutar com o coração inteiro.
A queda silenciosa
Débora foi, durante anos, esposa de um homem que parecia, aos olhos dos outros, perfeito. Carismático, gentil, prestativo. Mas em casa, era outro: cruel em silêncio, preciso no desprezo, hábil em desmantelar sua alma. Não a batia com as mãos — usava palavras, silêncios calculados, olhares de desprezo.
Ela foi se apagando.
Primeiro deixou de usar batom. Depois, parou de sair. Em pouco tempo, não tinha mais amigas, planos, fé. Vivia no modo sobrevivência. Tentava ser boa o suficiente para não ser abandonada. Tentava não errar para não ser punida. Tentava não chorar para não ser chamada de louca.
Ela não vivia.
Ela obedecia.
A primeira sessão
A primeira vez que nos encontramos, eu senti o peso do corpo dela dentro do meu peito. Sim, mesmo à distância. Porque dor tem volume, e Débora chegava carregando toneladas. Ela falava e eu escutava, mas não como quem ouve um relato — era como estar diante de alguém que trazia a própria cova escavada dentro do peito.
Ela chorou. Muito.
Mas o que me chamou atenção foi que ela pedia desculpas por chorar.
“Desculpa, eu estou sendo fraca.”
E ali eu soube: aquela mulher foi treinada para acreditar que sentir era pecado, que expressar dor era falta de maturidade. Ela estava sequestrada emocionalmente.
Mas ainda estava ali.
E isso já era um milagre.
O processo de resgate
1. Nomear a violência
Nas primeiras sessões, eu não disse que ela precisava sair. Eu sabia: vítimas não saem quando alguém manda. Elas saem quando entendem que o que vivem não é amor. E foi isso que começamos a fazer. Nomear: gaslighting, chantagem emocional, ciclo de abuso, dissimulação. Colocar palavras onde havia apenas confusão.
2. Reacessar o desejo
Débora não sabia mais o que queria. Não sabia do que gostava, o que sonhava, o que faria se estivesse livre. Começamos a escavar. Cada encontro era uma escavação da alma. Ela descobriu que amava música antiga. Que sonhava em viajar sozinha. Que queria voltar a dançar. Redescobrir desejos é um ato de renascimento.
3. Reconstrução da autonomia emocional
Criamos rituais. Acordar e se olhar no espelho. Escrever uma carta por dia para si mesma. Cozinhar algo que gostava. Dizer “não” para pequenos abusos cotidianos. Tudo isso ainda na presença do abusador — porque o abandono de um narcisista começa antes da porta se fechar. Começa no coração.
4. O ato de coragem
Até que um dia, numa sessão, ela entrou sorrindo. Pela primeira vez.
“Eu fui embora.”
Ela havia alugado um pequeno apartamento. Sozinha. Sem móveis, com pouco dinheiro. Mas livre. Me contou que dormiu no chão e acordou como quem nasce.
“Foi o melhor sono da minha vida.”
O renascimento
Hoje, Débora mora em outra cidade. Voltou a estudar. Reconstruiu laços com a irmã que o marido havia afastado. Volta e meia me envia mensagens curtas:
“Fui ao cinema sozinha pela primeira vez.”
“Chorei ouvindo Elis Regina e senti orgulho de mim.”
“Me olhei no espelho e disse: você é incrível.”
Ela ainda faz terapia. Porque o trauma não desaparece — ele é integrado, ressignificado. Mas a mulher que um dia chegou para morrer… hoje vive.
E você?
Talvez você esteja lendo este texto e sentindo que ele fala sobre você.
Talvez você esteja vivendo numa relação que ninguém vê, mas que te corrói por dentro. Talvez você tenha se convencido de que precisa aguentar, de que ninguém vai te entender, de que você não pode sair.
Mas eu estou aqui pra te dizer: pode.
Você pode sair. Você pode abandonar. Você pode renascer.
Foi por isso que criei o curso ABANDONE O NARCISISTA EM 30 DIAS.
Um espaço online, seguro, estruturado, onde você vai entender:
o ciclo do abuso e como ele age sobre você; os tipos de manipulação que você sofre sem perceber; os mecanismos psíquicos que te prendem; como recuperar sua força interior passo a passo; como sair com segurança emocional, financeira e psíquica.
Não é um curso técnico.
É um caminho de libertação.
E eu estarei com você em cada etapa.
Débora foi só o começo. Agora pode ser a sua vez.
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Você não precisa chegar ao fim da linha para descobrir que pode escrever uma nova história.
A dor não precisa ser sua morada.
Você merece habitar a liberdade.
— Vieira Junior, Psicanalista
Especialista em relações abusivas e autor do curso “Abandone o Narcisista”


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