No labirinto intricado da psique humana, a busca pela identidade é uma jornada que se inicia na infância, onde os vínculos familiares esboçam a moldura da nossa autoimagem. Sob a lente das teorias psicanalíticas, evidencia-se que palavras de diminuição plantam sementes de dúvida e insegurança, gerando uma lacuna identitária que, ao longo dos anos, impulsiona uma busca desenfreada por preenchimento em experiências externas.
Na infância, não nos identificamos plenamente com o ambiente, nem com nossos pais, os arquitetos iniciais de nossa identidade. Palavras depreciativas, como “você nunca vai conseguir”, “você nunca faz nada certo” ou comparações desfavoráveis, criam um terreno fértil para a sensação de ser um peixe fora d’água, um patinho feio.
Essa carência identitária, moldada nos primeiros anos, pode levar a uma busca desesperada por validação em lugares e situações que, na verdade, não têm afinidade conosco. O vazio resultante instiga uma procura incessante por prazeres efêmeros: bebidas, festas, pagodes, baladas, shows de rock, drogas, sexo, perversões, relacionamentos… Uma lista que poderia se estender até o amanhecer.
Observamos frequentemente pessoas imersas em exageros, seja em festas, música, relacionamentos ou álcool. À primeira vista, isso pode parecer ociosidade ou até mesmo algo associado a pessoas “ruins”. No entanto, na raiz, esses excessos são muitas vezes sintomas de uma falta profunda de identidade.
A terapia emerge como uma luz na escuridão, oferecendo um caminho para encontrar a verdadeira identidade. Ao explorar raízes, reconstruir relacionamentos familiares e forjar uma narrativa pessoal, a terapia desempenha um papel crucial na reconstrução da autoimagem e na cura da lacuna identitária.
Hoje, convido você a uma reflexão sobre uma identidade muitas vezes esquecida: a de filho de Deus. Somos herdeiros de uma história contada há milênios na Bíblia, onde personagens como Abraão, David, Pedro e Jesus são nossos parentes espirituais. Aceitando o nome de Jesus Cristo, nos tornamos parte dessa árvore genealógica, conectados aos artífices de nosso calendário e à história que nos trouxe até aqui.
Ao encerrar estas palavras, voltemos a um ensinamento profundo de Jesus sobre ansiedade. “Olhai para os pássaros, eles não se vestem… Buscai primeiro o reino de Deus, e as demais coisas vos serão acrescentadas.” Quando abraçamos a identidade de filhos de Deus, a ansiedade desvanece. Tornamo-nos herdeiros conscientes, empenhados em trabalhar pelo reino, sabendo que, ao fazê-lo, tudo o mais nos será acrescentado. É a jornada de descobrir a verdadeira identidade e, assim, encontrar significado e plenitude na nossa existência.


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