Sobre persistir

Persistir quando tudo dá errado é trabalhoso, mas possível e muito comum. Afinal, estamos acostumados a ouvir palavras de motivação e incentivo nessas situações.

“Você consegue”, “não desista”, “o melhor está por vir”, e assim por diante.

E tudo isso é verdade. Se você persistir, perceberá que a vida é feita de momentos que vão e vêm. Nada é permanente, tudo está, nada é.

Mas o mais difícil é quando tudo começa a dar certo, você sai do buraco, coloca o corpo todo pra fora, passa a viver algo que nunca imaginou e acredita estar no colo do próprio Deus, amando e sendo amado, prosperando, fazendo planos, ganhando e entregando e, de repente, você toma outra rasteira da vida. E de novo!

Cair no fundo do poço depois de já ter saído dele é uma das experiências mais dolorosas que o ser humano pode enfrentar.

Depois de enfrentar barreiras e passar a acreditar de novo nas pessoas, em Deus e na própria vida, lá vem a própria vida de novo te dar uma rasteira. E é aí que você cai não no fundo do poço, mas abaixo dele.

Há um sentimento de abandono misturado, principalmente, com vergonha e humilhação. Há a enganação também. Você se sente um verdadeiro idiota que, de novo, acreditou que daria certo. E não deu.

Agora, a decepção é maior, assim como a dor e o sofrimento.

Mas, histórias como essas são comuns e há exemplos de pessoas que, independentemente das repetidas quedas, seguiram em frente e colheram o que esperavam.

Na bíblia judaica no livro do gênesis, José era um moço que havia recebido uma promessa de que, um dia, reinaria sobre o seu povo. Seus irmãos, com inveja, o venderam como escravo para outra nação e mentiram para eu pai que ele havia morrido.

Escravo em um país que não era seu, José prosperou. Saiu da condição de escravo para o principal empregado da casa do maior chefe da guarda do rei. Era o homem que todos confiavam e que tinha muito prestígio.

José havia, portanto, sido exaltado. Ele reinava dentro daquilo que imaginava ser o seu reinado.

Até que, um dia, a esposa de seu chefe tenta seduzi-lo e deitar com ele. Tomado por seus valores, ele nega. A mulher, então, inventa uma calúnia e José é tido como culpado, é preso novamente e colocado em um calabouço junto com outros presos.

José havia, depois de ter subido, voltado à condição de escravo, preso e sem identidade. Mesmo após ganhar, ele perdeu e voltou à condição inicial. E pior: agora como criminoso, traidor e mentiroso. José havia saído do fundo do poço e acabou caindo abaixo dele.

Mas quem possui promessa e propósito não desiste tão facilmente, pois suas ações, atitudes e pensamentos não olham para o que fazem para si, mas sim para o que pode ser feito por si mesmo. José não olhou para a sua queda, mas sim para a possibilidade de subir de novo e, desta vez, mais alto.

Uma das coisas que José fez foi se apegar aos seus valores, atributos, dons e habilidades. Então, confiou e esperou pela sua oportunidade. A paciência e a permanência em seus valores fez com que o agora escravo e preso atraísse para si a oportunidade que tanto esperava.

Na prisão, José não deixou de ser quem era, não se tornou alguém amargo, arrogante e saudosista. Pelo contrário: ele decifrava os sonhos dos colegas de cela, dos guardas e distribuía os sentidos. José usava seu dom mesmo abaixo do fundo do poço.

Um dia, o rei de seu país teve um sonho e não conseguia decifrar. Foi então que a fama de José chegou ao rei, que mandou chamá-lo. O prisioneiro, então, decifrou o sonho de seu líder e, como prêmio, recebeu o título de Governador do Egito e passou a ser chamado, até hoje, de Príncipe do Egito.

Anos depois, sua família e seus irmão, passando fome, chegam à sua terra pedindo abrigo e comida. Seria a ocasião perfeita para uma vingança, mas José não era como era para satisfazer pessoas, lugares ou meios sociais. O Príncipe do Egito, que outrora havia sido escravo, pagou com o bem que tinha todo o mal que havia recebido, pois entendia que tudo o que havia passado estava no caminho para o lugar que estava.

Quem tem um propósito e certeza da sua promessa enfrenta qualquer “como” ou “por quê”, pois sabe que, acima das suas angústias e projeções de vitimismo, está o seu objetivo.

Caiu? Levante. Caiu de novo? Levante mais forte. E assim faça quantas vezes forem necessárias. Sua parada deve ser o seu destino, não a sua queda.

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