Como lidar com o medo?

O medo existe para nos proteger dos perigos do mundo externo e, muitas vezes, de nós mesmos. Trata-se de um sentimento desenvolvido ao longo da nossa evolução para garantir a sobrevivência da nossa espécie. Diante do sinal de que estamos diante de algo maior, mais forte, rápido ou melhor que nós, a amídala do nosso cérebro é ativada, despejando cortisol e adrenalina em nossa corrente sanguínea, fazendo tudo acelerar por dentro, deixando o corpo todo em alerta e sob a seguinte mensagem: agora é bater ou correr.

Se o momento for de medo, a decisão será correr.

O corpo todo sente essa mudança química e física. O estômago parece levar uma ducha de água fria, dando aquela sensação de calafrio. Em alguns casos, o intestino também é prontamente acionado, liberando as fezes (diarreia) para que possamos correr mais rápido. E tudo isso não é coincidência: temos mais neurônios no estômago e intestino que em qualquer outra parte do corpo, sem contar o cérebro. São dois órgãos tão sensíveis que são os primeiros a acusar qualquer mudança de sentimento.

Toda essa jornada do medo acontece diante de algo maior, maior forte, melhor e mais rápido que nós para garantir que fiquemos vivos. Mas há algo que acontece antes de toda essa transformação e que determina se ela vai ou não acontecer: a nossa avaliação do que está diante dos nossos olhos.

Ao longo da nossa história, ter medo é normal, saudável e inteligente. Viver com medo é que não pode ser algo saudável, afinal viveremos numa guerra interna, preparados para correr ou bater, com órgãos internos acelerados e os externos paralisados.

A avaliação que se faz do fato ou problema à sua frente será decisiva para que você mude a decisão sobre ter ou não o medo, se ativa ou não a sua amídala.

Davi, rei de Israel entre os primeiros anos em que os judeus aprendiam a ser governados, passou por isso. Em determinado momento, uma tribo rival apresentou em seu exército um soldado gigante, com quase três metros de altura, desafiando o exército de Israel a apresentar um homem que o enfrentasse. Claro, ninguém o quis fazer por medo.

Davi, um menino que acabara de sair da adolescência, magro, pequeno e sem experiência de guerra se dispôs a enfrentá-lo. Qual foi, então, a diferença entre aquele menino e os milhares de soldados experientes que tiveram medo de enfrentar o gigante?

A resposta está em outra pergunta: em que você confia?

A confiança de Davi em si e em Deus era tão grande que ele não viu os três metros do seu adversário, mas sim o tamanho que o seu Deus tinha e como poderia ajudá-lo a vencer.

A fé que Davi teve naquele dia tem muito a nos ensinar sobre em que, quem e como confiar. Independentemente de se confiar ou não em Deus em uma situação como essa, a pergunta que você poderia fazer a si mesmo diante do medo é: qual é a minha confiança? Em que eu acredito? Qual é a minha fortaleza interna?

“Tudo posso naquele que me fortalece”, dizia Paulo em uma de suas cartas, mostrando, mas uma vez que, quando se ter uma fortaleza para confiar, o medo passa a ser apenas um detalhe, um motivador.

Em que você confia?

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