Esquecer quem nos causou dor seria, no mínimo, um ato inteligente. Qualquer pessoa em sã consciência daria conselhos do tipo: se faz mal, abandone; a fila anda; ele não valoriza você, valorize-se; ame quem ama você.
E elas estão todas corretas, seria mesmo o melhor a se fazer. A questão toda é que as decisões que envolvem sentimentos não estão no campo da razão, mas sim na emoção. Assim, quem aconselha, por não estar envolvido na história, sempre conseguirá encontrar uma solução simples, rápida, prática e definitiva, mas para a pessoa que vive a história isso nunca será assim.
Aceitar a dor, o sofrimento, a traição, a mentira e as migalhas que o outro dá não são um ato de fraqueza, mas sim de necessidade e medo, principalmente por só conhecer aquilo que está à sua frente.
Crie um passarinho na gaiola e ele vai sempre achar que voar é uma doença. Você aceita aquilo que conhece.
Abandonar quem nos fez sofrer é difícil porque ficamos, sobretudo, marcados. Narcisistas, por exemplo, têm a habilidade de trair, mentir, humilhar, pisar e passar a sensação de que a culpa ainda foi do outro, dizendo que ele fez aquilo para se proteger ou, pior, para proteger a outra pessoa traída, colocando-se como vítimas ou grandes seres humanos empáticos que se sacrificam pelo bem geral da humanidade. E assim a pessoa, mesmo ferida, ainda fica grata pela traição, mentira e maldade que recebeu.
E o ciclo vai sempre se repetir, pois narcisistas tem o poder de enfraquecer cada vez mais a vítima, deixando-a sem saber sequer quem ela é.
Se você está sofrendo para esquecer alguém que lhe causou dor, saiba: sua dor é legítima, verdadeira e totalmente compreensível. Colocar as asas para fora da gaiola vai doer, você vai cair para depois voar, mas assim que conseguir, vai se questionar o porquê demorou tanto. Não pare, não volte!
Se você está aconselhando ou conhece alguém assim, lembre-se: ninguém sofre porque quer, mas sim porque acha que o que tem é a única coisa que existe. Em terra de sentimentos só sente o calor do chão quem pisa descalço. Não julgue, apoie. A descoberta é sempre da pessoa, não sua. Seu papel é apenas o de estar por perto para o que der e vier.


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