O novo Coronavírus veio para cancelar (ou pelo menos adiar) uma série de planos: casamentos, noivados, viagens, filhos, passeios, compras, vendas… e no meio de tudo isso é comum ouvir pessoas dizendo (e até com certa razão): “tinha que ser agora? Justo na minha vez? Justo comigo?”, e eu entendo que você, que passou por grandes cancelamentos ou adiamentos de planos, pode se sentir um “sem sorte” por viver essa experiência. Parece até perseguição, eu entendo, sei me colocar no lugar de alguém que teve um casamento adiado, por exemplo. Justamente agora que você achou a pessoa certa, não é mesmo? E conhecer a Europa, então. O euro tinha mesmo que subir justamente quando eu consegui juntar, em real brasileiro, o que eu precisava para viajar? Tinha mesmo que ser agora o surgimento de uma pandemia que há 100 anos não acontecia?
Nessa hora, nós temos mesmo a tendência de projetar no mundo a nossa realidade.
“É só eu lavar o carro que chove”
“Basta eu me arrumar que faz frio”
“Foi só eu marcar praia que peguei gripe”
E assim se alimentam sentimentos cada vez mais negativos, como a falta de sorte, perseguição, inveja, ingratidão e até mesmo uma falta de amor ou consideração por parte do universo ou planos espirituais. Mas não é assim, principalmente se conseguirmos olhar para cada situação sob a ótica do mundo e não a de nós mesmos. Na verdade, só vamos nos sentir sem sorte nessas situações se julgarmos que o mundo gira em torno dos nossos planos, o que significa, além de um grande engano, uma supervalorização do desejo e da expectativa da realidade, a qual não temos controle algum. O mundo está aí, e ponto. O céu fica cheio de nuvens porque é hora de chover e não porque seu carro está limpo. O frio chega por conta da entrada de uma frente fria que precisa acontecer para regular chuvas, ventos, acasalamentos de animais, crescimento de plantas, bactérias, vírus e todas as espécies de vida na Terra. E essas coisas são bem maiores do que nós e os nossos planos.
Da mesma forma, um vírus surge para regular algo outrora desregulado na relação de vida no Planeta. E sabemos: há muito desequilíbrio em nossa “casa”, seja ele ambiental, social ou existencial. Adiciona-se a isso o fato de que, no Brasil, o tema está sendo muito malcuidado, com líderes que mais tem se preocupado com a eleição de 2022 do que com a saúde e a vida das pessoas, mesmo que isso cause até mesmo a morte de parte daqueles que deveriam apertar o botão da urna de votação.
O fato é que o cenário está aí e não é a nossa vida que o altera, mas é ele que a muda. Na história do Planeta Terra sempre foi assim: o ambiente define o tipo de vida dos seres vivos e não o contrário. Então, se conseguirmos ter a noção de que somos apenas uma fagulha de poeira no contexto do universo, vamos ver que o todo é quem está passando por uma transformação necessária, profunda e sem precedentes. E o adiamento dos nossos planos é o possível preço para que isso aconteça, mas não quer dizer que tudo esteja acontecendo só por causa deles. Pensar assim é se colocar na posição de “centro do universo”, o que também é se enganar.
“Tudo tem um propósito debaixo do céu”, escreveu Salomão, no livro dos Eclesiastes. Sendo apenas uma fagulha de poeira é impossível enxergar o propósito de um universo inteiro. Até hoje não sabemos ao certo porque estamos aqui. Mas, para citar outro autor bíblico, podemos nos apegar a Paulo. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”. O azar é simplesmente fruto da falta fé.
Com fé, conseguiremos ver que, sim, estamos dentro de um propósito muito maior.


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