“O milagre não é a suspensão das leis naturais — é o uso perfeito delas por uma inteligência superior.”
Aos sete anos, meu corpo começou a cair. Literalmente. Sem aviso, sem lógica, sem controle. Eu desmaiava. Meus músculos tremiam, minha boca espumava, meu cérebro se desconectava do mundo real. Os médicos chamaram de epilepsia. Me receitaram Tegretol. E me disseram: “isso não tem cura”.
Mas eu não acreditava neles. Não porque era rebelde. Mas porque já havia feito um acordo com Deus. Eu tinha sete anos — só sete — mas já carregava dores que muitos adultos jamais suportariam. E, aos sete, eu já orava como um homem. Pedi a Deus que me curasse. Fiz uma promessa: se Ele me curasse, eu contaria essa história pelo resto da vida.
Hoje, escrevo esse texto como um cumprimento de voto. Não apenas porque fui curado — e fui. Mas porque agora eu entendo como fui curado.
E o que eu quero te contar, com o coração aberto e a alma exposta, é que o milagre aconteceu — e continua acontecendo até hoje. E ele não foi mágica. Não foi truque. Não foi um “puf” fora da realidade.
Milagre não é mágica. Milagre é engenharia divina.
A infância que treme mais do que o corpo
Antes das convulsões, havia outra coisa que tremia: minha casa.
Aos sete anos, minha infância já estava marcada por medo, gritos, ameaças e a presença constante de um pai violento. Violento não apenas com gestos, mas com palavras, com olhares, com silêncios. Quem viveu isso sabe: a violência que silencia também mata. E dentro de mim, muito já havia morrido.
Eu cresci esperando a tragédia. Dormia esperando que ele nos matasse. Eu conhecia o medo antes de conhecer a tabuada.
E então, um dia, ele morreu.
E aqui começa a parte mais delicada da minha alma.
Eu não chorei.
Eu não senti luto.
Eu senti alívio.
E — que Deus me perdoe — eu senti alegria.
O desejo que não podia existir
Com os olhos da psicanálise, hoje entendo o que estava acontecendo. Freud dizia que os sintomas são expressões de desejos inconscientes reprimidos. E que muitas doenças, especialmente as psíquicas, são o corpo gritando o que a alma não suporta dizer.
O menino que tinha medo do pai queria, no fundo, que o pai desaparecesse. E quando ele desapareceu, o menino se culpou por ter desejado o que aconteceu.
Esse é o conflito edipiano: querer matar o pai, inconscientemente, e assumir o lugar dele. Mas quando esse desejo se concretiza — mesmo que sem culpa objetiva — a culpa simbólica explode.
E como uma criança de sete anos lida com isso? Ela não lida. O cérebro entra em curto.
E foi assim que meu corpo começou a cair. Foi assim que a epilepsia começou.
A convulsão, naquele momento, era a única linguagem que meu inconsciente conhecia para expressar o que eu não podia nem pensar.
O pacto com Deus
Mas aí, no meio desse caos, entrou Deus.
Não como conceito. Não como doutrina. Mas como Presença Viva.
Eu me converti aos sete anos. Comecei a orar. A buscar. A confiar. E, mais do que isso: eu troquei de pai.
Sim, o homem que me aterrorizava havia morrido. Mas o vazio que ficou foi imediatamente preenchido por um novo Pai — um Pai eterno, confiável, amoroso, que me dava segurança e paz. Pela primeira vez na vida, eu senti proteção.
Deus entrou onde o meu pai falhou.
E isso, além de ser fé, também é cura psíquica. A figura paterna, segundo Freud, é a base da estrutura do superego, do senso de certo e errado, da construção do ego. Quando essa figura é violenta, o psiquismo se desorganiza.
Mas quando essa figura é reconfigurada de forma simbólica — quando Deus ocupa esse lugar no inconsciente — o psiquismo encontra novo eixo, novo equilíbrio.
Foi isso que aconteceu comigo.
A fé reorganizou meu inconsciente.
Deus reestruturou meu ego.
A promessa criou sentido onde antes só havia dor.
A neurociência explica?
Sim. E com detalhes.
Hoje sabemos, através de diversos estudos, que a fé e a espiritualidade genuína:
Reduzem o cortisol, o hormônio do estresse Ativam o córtex pré-frontal, área ligada à lógica, controle e resiliência Modulam o sistema límbico, onde estão o medo e as emoções primárias Aumentam dopamina e serotonina, neurotransmissores que equilibram o humor
Além disso, a prática da oração, da meditação e da espiritualidade ativa o chamado modo de rede padrão, o estado do cérebro ligado à introspecção, autoconsciência e criatividade.
A fé muda o cérebro fisicamente. Isso não é metáfora. É neurociência.
Então, quando eu digo que Deus me curou, não estou negando a ciência. Estou dizendo que Deus usou a ciência para me curar.
O milagre não é a suspensão das leis naturais — é o uso perfeito delas por uma inteligência superior.
Aos 12, o milagre
Tomei Tegretol dos 7 aos 12 anos. Foram cinco anos de remédio. Cinco anos de crises espaçadas. Cinco anos de crescimento, de oração, de entrega.
E então, um dia, o médico disse: “você não precisa mais do remédio.”
Eu não tive mais crises. Nunca mais.
Aquilo que disseram ser incurável desapareceu.
E eu sabia: era o cumprimento da promessa.
Não foi de um dia pro outro. Não foi mágico. Mas foi milagroso. Porque tudo aconteceu dentro das leis naturais, mas conduzido por mãos sobrenaturais.
O que me curou?
Hoje, com o que estudei e vivi, posso dizer:
Fui curado pela fé. Fui curado por Deus. Mas também fui curado por mim mesmo, ao permitir que Deus entrasse onde ninguém mais conseguia. Fui curado quando entreguei o medo. Fui curado quando substituí o pai do medo pelo Pai do amor. Fui curado quando aceitei que minha história não me define, mas pode me libertar.
E por que eu conto isso?
Porque eu prometi.
Mas também porque eu sei que tem gente agora mesmo tremendo por dentro.
Talvez o seu corpo esteja doente, mas é sua alma que está gritando. Talvez ninguém te escute. Talvez até você tenha se acostumado com a dor.
Mas eu estou aqui pra te dizer: existe cura. Existe caminho. Existe um Pai que não falha.
A fé não substitui a terapia. Mas ela pode ampliar o efeito dela. A oração não anula a ciência. Ela pode ativar tudo o que a ciência ainda não alcançou.
Deus não age apesar do seu corpo. Ele age através dele.
Deus não precisa apagar a sua dor. Ele pode transformá-la.
Deus não vai fazer mágica.
Mas Ele pode fazer milagre.
Hoje, eu sou um homem. Escrevo, estudo, ajudo pessoas.
Mas nunca deixei de ser aquele menino de 7 anos que fez uma promessa:
“Se o Senhor me curar, eu vou contar isso pra sempre.”
Pois bem…
Estou aqui.
Curado.
Inteiro.
De pé.
Contando.
Pra que você saiba que o seu milagre também está a caminho.
Talvez ele venha pela medicina. Talvez pela análise. Talvez pela oração.
Ou talvez, como aconteceu comigo, venha pela junção dos três.
Porque no final das contas, milagre é isso mesmo:
Milagre não é mágica. Milagre é engenharia divina.


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