No mundo corporativo, muitas vezes se observa uma tendência preocupante: a coragem seletiva dos líderes quando se trata de demissões. Os cargos operacionais, que compõem a base da produção e garantem a continuidade do trabalho essencial, são frequentemente os primeiros a serem considerados em cortes, pois não representam uma ameaça à imagem ou ao ego dos executivos de alta liderança. Essa prática reflete uma liderança que atua mais pela preservação da própria imagem do que pelo bem-estar da organização como um todo.
No entanto, quando chega o momento de avaliar e tomar decisões sobre gerentes, diretores e outros cargos de alta liderança – que muitas vezes são de confiança pessoal dos executivos – a postura muda completamente. O leão que mostra firmeza ao lidar com o operacional se transforma em um gatinho diante de desafios mais significativos. Isso acontece porque falta, em muitos líderes, o autoconhecimento e a clareza sobre a real necessidade das suas decisões. Em vez de confrontar a realidade de que algumas demissões de alto escalão podem ser necessárias para a saúde da empresa, opta-se por preservar essas figuras por razões emocionais, amizade, ou pelo simples medo de desagradar alguém em um cargo influente.
Essa abordagem é extremamente prejudicial para os negócios. Manter cargos de liderança que não entregam resultados, seja por incompetência ou falta de alinhamento com os objetivos da empresa, acarreta altos custos e coloca em risco a produtividade e o bem-estar das equipes. Além disso, a permanência de líderes ineficazes cria um ambiente de trabalho tóxico, onde o mérito é desvalorizado e a confiança na empresa se perde.

Ambientes assim desestimulam a inovação e comprometem a motivação dos colaboradores, que percebem que o crescimento não é baseado no esforço e competência, mas em relacionamentos pessoais e interesses políticos. Para mudar esse cenário, é preciso que líderes desenvolvam autoconhecimento e coragem para agir de forma imparcial e tomar decisões que, ainda que difíceis, contribuam para a construção de uma cultura saudável e focada em resultados. O verdadeiro líder é aquele que age de acordo com os interesses da empresa e de seus colaboradores, não apenas em benefício próprio.
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