Ele devolveu perdão a mim que nunca fui digna. Ele me deu um amor completo, que garantiu suprir todas as minhas lacunas. E agora, porque aceitar um amor incompleto, que só deseja me ‘amar’ pela metade?
Por favor. Não quero ouvir que “o problema” não está em mim ou que não se sente preparado para entrar em mais uma embarcação enquanto sussurra em meu ouvido que me ama. Amores incompletos, com aquele ar de; “apesar de…” “Por mais que…” me cansam. Me canso do: “a vida é assim mesmo”.
Eu de fato, não sei o que é amar pela metade. Apesar de não gostar tanto do termo “intensa”, eu sei que sou ‘intensa’ e quando amo, amo mesmo. Gostando ou não sou do tipo que vou de cabeça, mesmo porquê, que graça tem em ficar nadando no rasinho? Quero me arriscar a descobrir o que me aguarda do outro lado da ponte. Pode ser que não encontre nada do que esperava, e até me frustre por perder tantas energias para chegar do outro lado, mas de que vale viver uma vida com medo de ser vivida? E a verdade é que não vale a pena mudar quem eu sou, me tornar “menos intensa”, selecionar mais quem eu amo, amar com medidas, e toda a minha essência de me abrir mesmo sem que eu tenha uma segurança, de me dar o espaço de ser criativa e espontânea com quem eu quero. Não vale a pena mudar quem eu sou, porque alguém não soube lidar com alguém que é inteiro demais.
E se não existe pessoas prontas, ou suficientes para ficar, só me deixem, porque mereço alguém inteiro, e não migalhas, fragmentos de um amor quebrado, que não alcançam nem uma porcentagem de tudo o que mereço.
Eu sei que mereço um amor que não é fácil, que exige sacrifício, entrega, e conquista, afinal foi o que o meu Jesus me ofereceu a vida toda. Mereço um amor que não divide pódio com o seu passado, e em tantos lugares no coração de alguém, mereço O MEU lugar, e não o lugar de todas as suas aventuras. Eu quero um amor que me faça sorrir, e que não me peça pra ir embora a cada vez que o sol se aproxima. Eu quero um amor que me traga a segurança de que não existe incertezas na escolha de embarcar nessa jangada. Não exijo perfeição, pelo contrário, quero um amor que reconheça as falhas, e ainda sim, busque se livrar dos vícios que o afastam do ser amado. O amor reconhece que tem defeitos e que o outro também tem, mas não se dobra a eles. O amor está em tornar-se alguém melhor para o ser amado. O amor extingue todas as barreiras que o afastam do outro.
Sabe o que eu quero mesmo? Eu quero alguém que possa se descabelar, que me faça sentir viva e amada. Eu quero um amor que me faça vibrar com a vida. Daqueles amores que são temperamentais e permite fazer loucuras de ser eu mesma. Mas também quero um amor racional, daqueles que não desligue o telefone quando sentir a primeira lágrima de um dilúvio de dor que o outro esteja vivendo. Quero um amor que seja presente mesmo que a alma fraqueje, e as angústias venham com abraço forte pra me acalmar. Eu quero um amor que tenha intimidade e confidência, para que possamos gargalhar das nossas vergonhas e rir do nosso passado.
Eu sei que buscamos tranquilidade, facilidade, mas no amor não existe facilidade e nem tranquilidade o tempo todo, quero alguém que esteja disposto a enfrentar as marés altas e agitadas. Não quero nada demais, só quero um amor que esteja por inteiro comigo, inteiro comigo e que segure forte a minha mão. Daqueles que tem cheiro de café pela manhã, bem forte, bem quente. Afinal, se for pra queimar a língua, que seja com algo que valha a pena. Amores mornos e descafeinados me cansam. Deus me deu um amor inteiro e deseja no mínimo, algo semelhante.
I COR. 13
Autor: uma seguidora do psicanalisando.com


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