DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

Dores pelo corpo, alergia, ansiedade, psoríase, depressão… Doenças psicossomáticas estão por toda parte e são resultado de algo que não falamos, recalcamos e, posteriormente, afetam o corpo de forma física.

Em detrimento da visão de alguns, que ainda teimam em negar a relação entre corpo e mente, a medicina já assume que um corpo são depende de três pilares em equilíbrio: corpo, mente e espírito.

O filósofo Epicuro, fundador da escola epicurista, pregava exatamente esse conceito entre os gregos 341 A.C. Para ele, o ser humano só poderia ser plenamente feliz se conseguisse viver em paz consigo, com o mundo espiritual, estivesse rodeado de amigos, não temesse a morte e estivesse com o corpo em equilíbrio, com bastante destaque, inclusive, para a alimentação. Felicidade, portanto, faria o homem viver melhor. [1]

Na física, outro conceito fala sobre a relação entre corpo e mente de forma mais indireta. A terceira lei de Newton afirma que a toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto. A força é resultado da interação entre os corpos, ou seja, um corpo produz a força e outro corpo recebe-a. Durante seus estudos, Isaac Newton percebeu que a toda ação correspondia uma reação. Se considerarmos o mesmo conceito para todo o conceito de existência, podemos observar que no corpo humano a mesma lei se repete. Se há mais adrenalina no corpo, haverá mais energia e aceleração. Se ela não for dissipada, fará com que o próprio corpo seja afetado. [2]

Segundo Freud, tudo aquilo que pensamos, sentimos e recalcamos voltará em forma de neurose. Afinal, “a voz do inconsciente é sutil, mas ela não descansa até ser ouvida.”[3]

DESENVOLVIMENTO – DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

A mente não existe sem o corpo, e o corpo não existe sem a mente. Por esse pensamento, podemos presumir que quanto mais problemas emocionais, mais doente a sociedade ficará.

Segundo dados de um estudo feito por Hans-Ulrich Wittchen, diretor do Instituto de Psicologia Clínica e Psicoterapia da Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, mais de 160 milhões de pessoas sofrem de doenças mentais na Europa, a maioria de ansiedade e depressão, os chamados distúrbios de humor. De acordo com ele, a tendência existe também nos Estados Unidos e no Brasil, e atinge mais as mulheres que os homens. [4]

De acordo com o estudo, nos últimos dez anos, um número maior de europeus passou a sofrer de doenças mentais. O grande problema é que os distúrbios são graves e afetam as pessoas por mais tempo, muitas vezes a vida inteira. Um fator que piora esse cenário é que houve um aumento da expectativa de vida das pessoas, que passaram a viver mais, o que também faz com que o tempo de duração da doença seja maior. Vale destacar que em quase todos os países a expectativa de vida aumentou em oito anos nas últimas décadas, e pessoas idosas são também mais propensas à depressão.

O relatório anual do Conselho Europeu do Cérebro, de 2011, revelou que 50% dos custos totais de saúde são investidos no diagnóstico e na terapia de doenças cardíacas ou diabetes, enquanto apenas 23% dos custos são gastos com os distúrbios mentais.

No Brasil, o cenário também é alarmante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país está na primeira posição em prevalência de ansiedade, com mais de 18 milhões de pessoas sofrendo do problema. Isso equivale a 9,3% da população. [5]

A Associação Brasileira de Psiquiatria, em estudo realizado recentemente, revelou que os médicos associados perceberam um aumento de até 25% nos atendimentos psiquiátricos e de 82,9% no agravamento dos sintomas, o que evidencia a urgência do tema. [6]

Esses dados também fazem ligação com o aumento do número de doenças consideradas psicossomáticas, como as doenças autoimunes. Internacionalmente, estima-se que os casos de doenças autoimunes aumentem entre 3% e 9% anualmente. Segundo estes investigadores ingleses, um dos maiores aumentos recentes de casos de doença inflamatória intestinal ocorreu no Médio Oriente e no leste da Ásia, onde a doença praticamente não existia. [7]

Os casos de infartos também têm tido um aumento considerável entre os mais jovens. Segundo dados do ministério da saúde, em 2021 o incremento foi de 59% entre pessoas com menos de 40 anos. [8]

Outra doença psicossomática, o câncer, também aponta para um adoecimento físico da sociedade em paralelo ao adoecimento mental. No Brasil, são mais de 600 mil novos casos todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. [9]

As doenças psicossomáticas têm como principal característica os sintomas físicos que afetam o corpo tendo como causa, principalmente, situações emocionais.

Situações da vida com grande poder de causarem traumas, como a morte, o divórcio, a separação, o acidente, a perda de emprego, entre outras, podem fazer com que as defesas naturais do corpo caiam repentinamente, o que pode facilitar e até mesmo incentivar a geração de doenças.

A medicina contemporânea já comprova a relação entre o físico e a mente, principalmente no que diz respeito ao sistema nervoso e o imunológico. Quando recebemos um golpe muito forte emocionalmente, o sistema imunológico é afetado de forma instantânea. Se o trauma não for muito grave ou constante, o corpo se recupera rapidamente. Se acontecer o contrário, o corpo fica exposto a enfermidades.

Os distúrbios gastrointestinais são as doenças psicossomáticas mais frequentes, tanto que a primeira doença considerada de origem psicossomática foi a úlcera estomacal. Tempos mais tarde, foi comprovado que as doenças da pele, se não estivessem associadas a uma bactéria ou a um vírus, teriam origem psicológica. A psoríase, as verrugas, a herpes, a sudorese excessiva, a rosácea, as feridas, as aftas aparecem com mais frequência quando há mais frustrações e emoções que o indivíduo não pode lidar.

Até mesmo as crianças e os bebês são afetados pelas doenças psicossomáticas. Incapazes de falar, elas expressarão as suas angústias através de: eczema, insônia, distúrbios do sono, vômitos, asma, entre outros.

Um estudo feito pelo americano Lawrence Le Shan sugeriu que a solidão, o trauma emocional ou o estado psicológico podem interferir na taxa de mortalidade do câncer.

Algumas doenças podem ser causadas por uma má alimentação. Contudo quando pesquisamos a fundo, podemos observar que a causa da má alimentação, quase sempre, está ligada a alguma questão emocional. É aí que podemos citar: bulimia, anorexia, alcoolismo, obesidade e doenças cardiovasculares ligadas ao consumo excessivo de certos alimentos gordurosos ou açucarados são os principais exemplos de desequilíbrios alimentares que também podem ocorrer após uma forte afetividade.

Segundo dados do Ministério da Saúde, as mulheres são mais afetadas por doenças psicossomáticas do que os homens. Estima-se que 38% das mulheres e 26% dos homens sejam afetados por uma doença desse tipo em algum momento da vida.

Um ponto importante a se ressalta é que pessoas com necessidades básicas emocionais são as mais afetadas por doenças, como amor, carinho, relaxamento…

Tratamento

O melhor caminho para o tratamento das doenças psicossomáticas é uma junção entre terapia, autoconhecimento e medicação. Podemos dividir da seguinte forma: a curto prazo e para resultado imediato, o melhor a se indicação é o uso de medicação, até mesmo para auxiliar o paciente a sair do estado de doença e sofrimento. A médio e longo prazo e com resultado mais duradouro, a terapia seria a forma mais eficaz para tratar a causa e fazer com que a raiz do problema seja resolvida.

Com os medicamentos, o indivíduo terá a solução dos seus sintomas. Porém, para que uma doença psicossomática seja resolvida de vez é preciso ressignificar as razões e as lembranças que causam a geração de pensamentos não positivos.

A melhor cura para esses tipos de doença é a prevenção. Na psique, podemos chamar as razões de agressores, que seriam as reações que causam estragos físicos no organismo. Entre eles, está o estresse, por exemplo, que gera um gasto físico intenso, e que também pode ser provocado pela luz, ruído, altas e baixas temperaturas, doenças e sofrimento, um estilo de vida pobre e uma dieta desequilibrada, além claro, de pressões emocionais e vários campos da vida social.

As doenças mais comuns

  1. Constipação ou diarreia;
  2. Dor e queimação no estômago, associado ou não à náuseas e vômitos;
  3. Sensação de falta de ar. Além disso, pode ter dor torácica;
  4. Dores musculares e de cabeça;
  5. Aumento da pressão arterial;
  6. Aceleração dos batimentos cardíacos;
  7. Alterações na visão;
  8. Coceira, ardência ou formigamento;
  9. Queda excessiva de cabelo;
  10. Insônia;
  11. Dor ou dificuldade para urinar;
  12. Mudanças na libido;
  13. Dificuldade de engravidar. Além disso, podem ter alterações do ciclo menstrual;
  14. Enxaqueca;
  15. Síndrome do intestino irritado;
  16. Alergias alimentares, respiratórias ou de pele;
  17. Impotência sexual;
  18. Infertilidade;
  19. Anemia;
  20. Doenças respiratórias e do fígado;
  21. Asma;
  22. Problemas na bexiga;
  23. Bulimia;
  24. Câncer;
  25. Doenças do coração;
  26. Problemas digestivos, dentários, na garganta e na coluna;
  27. Dor nas costas, pescoço e nuca;
  28. Gastrite;
  29. Problemas no joelho e nas pernas;
  30. Obesidade.

CONCLUSÃO

No verdadeiro sentido, o termo “psicossomático” vem da junção de duas palavras de origem grega, psique, que significa alma, e soma, que significa corpo. Ou seja, é uma doença que tem origem na alma e no psicológico, mas também tem consequências físicas no corpo.

Todas as doenças têm um componente psicossomático, embora nem todas sejam 100% causadas por esse componente, mas sejam frutos de uma junção de todos eles: físico, mental, químico etc. Contudo, o nosso estado mental pode, de fato, causar ou piorar as manifestações de certas patologias, ou diminuir as defesas imunológicas em caso de infecção.

BIBLIOGRAFIA

O IMPACTO DAS DOENÇAS MENTAIS É MAIOR QUE O DAS CARDIOVASCULARES. Globo, 2020. Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/o-impacto-das-doencas-mentais-maior-que-das-cardiovasculares-diz-pesquisador-6548541. Acesso em: 08 de março de 2021.

PRECONCEITO ESTÁ ENRAIZADO NA SOCIEDADE. Veja, 2021. https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/bbb-preconceito-contra-transtornos-mentais-esta-enraizado-na-sociedade/#:~:text=Mesmo%20antes%20da%20pandemia%20de,%2C3%25%20da%20popula%C3%A7%C3%A3o%20brasileira.  Acesso em: 08 de março de 2021.

FRATURA. Netflix, 2019. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/80223997. Acesso em: 08 de março de 2021.

QUAIS AS PRINCIPAIS DOENÇAS PSIQUIÁTRICAS? Hospital Santa Monica, 2019. Disponível em: https://hospitalsantamonica.com.br/quais-as-principais-doencas-psiquiatricas-entenda-como-trata-las/#:~:text=As%20doen%C3%A7as%20psiqui%C3%A1tricas%20s%C3%A3o%20conceituadas,vida%20pessoal%2C%20profissional%20e%20social. Acesso em: 08 de março de 2021.

PSICOSES. Vittude, 2019. Disponível em:  https://www.vittude.com/blog/psicose/#:~:text=Psicose%20%C3%A9%20um%20transtorno%20mental,de%20contato%20com%20a%20realidade. Acesso em: 08 de março de 2021.


[1] Disponível em: https://www.todamateria.com.br/epicuro/ Acessado em 21/05/2022

[2] Disponível em https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/terceira-lei-newton.htm#:~:text=A%20terceira%20lei%20de%20Newton,que%20atua%20no%20sentido%20oposto.&text=A%20for%C3%A7a%20%C3%A9%20resultado%20da,toda%20a%C3%A7%C3%A3o%20correspondia%20uma%20rea%C3%A7%C3%A3o. Acessado em 21/05/2022

[3] Disponível em https://frasedodia.net/sigmund-freud/a-voz-do-inconsciente-e-sutil-mas-ela-nao-descansa-ate-ser-ouvida/ acessado em 21/05/2022

[4] Disponível em:

https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/o-impacto-das-doencas-mentais-maior-que-das-cardiovasculares-diz-pesquisador-6548541. Acesso em: 08 de março de 2021.

[5] Disponível em:

https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/bbb-preconceito-contra-transtornos-mentais-esta-enraizado-naw-sociedade/#:~:text=Mesmo%20antes%20da%20pandemia%20de,%2C3%25%20da%20popula%C3%A7%C3%A3o%20brasileira.  Acesso em: 08 de março de 2021.

[6] Disponível em:

https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/bbb-preconceito-contra-transtornos-mentais-esta-enraizado-na-sociedade/#:~:text=Mesmo%20antes%20da%20pandemia%20de,%2C3%25%20da%20popula%C3%A7%C3%A3o%20brasileira.  Acesso em: 08 de março de 2021.

[7] Disponível em https://www.alergiaeimunologia.com.br/?gclid=Cj0KCQjwm6KUBhC3ARIsACIwxBh76K6vPkr8I5AIOkNlLXjjKkORkvRn7OnBQc2b9508LTzWE6nxaVEaAgnZEALw_wcB acessado em 21/05/2022.

[8] Disponível https://veja.abril.com.br/saude/o-aumento-preocupante-de-infartos-em-pessoas-com-menos-de-40-no-brasil/ Acessado em 21/05/2022.

[9] Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasil-tem-quase-600-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-diz-diretora-da-oms/ acessado em 21/05/2022.

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