Vivemos uma época em que existir é postar, ser visto é ser notado, curtido, comentado com compartilhado. E na ânsia de convencer pessoas e algoritmos da nossa relevância perante o mundo, entregamos dados, particularidades, coisas íntimas, sentimentos e tudo aquilo que, mesmo sendo só meu, pode me gerar algum tipo de atenção, ainda que só nas redes.
É sobre esse vazio de sentimento e necessidade de afeto que podemos falar quando analisamos a necessidade de se postar tudo aquilo que se vive. O ser humano sempre foi carente, dotado de um vazio existencial gigantesco, um verdadeiro rombo causado pela expulsão do paraíso (o ventre da mãe). É por isso que passamos a vida toda buscando amor, tentando ser aceitos de volta ao mundo em que éramos amados, protegidos e acolhidos.
Nas redes, esse sentimento aparece com força, pessoas querem atenção, acolhimento e, sobretudo, serem notadas. Aqui, podemos verificar, ainda, um vazio ainda maior: a inexistência desse amor na vida real. Se eu não sou desejado, posto as minhas fotos mais sensuais. Se eu não tenho amor, posto abraçado e uso a #eueele, para tentar provar para todos e para mim mesmo, deixando registrado, que eu tenho um momento que é só meu, mas que preciso compartilhar com todos para que a visão do todo reforce aquilo que eu tenho dúvida sobre mim.
As redes são uma mentira, uma grande produtora de hipocrisia de vida. E quem não sabe disso, acaba comparando a própria vida real com a das mídias, e aí acaba por cair em ansiedade e depressão.
Poste menos, viva mais. Dê atenção ao conteúdo e não à publicidade.


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