Nem tudo que queremos serve para nós

“Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”, dizia Paulo em uma de suas cartas.

Discernir o que queremos do que podemos, devemos e merecemos é uma tarefa trabalhosa, mas não impossível. Na verdade, quando algo dá errado, sempre temos aquela sensação de “eu já sabia”.

E de fato já sabia mesmo.

Nosso cérebro, baseado em experiências anteriores, manda-nos sinais de alerta quando algo está caminhando por uma estrada que ele já conhece. Ele faz cálculos minuciosos para dizer ao nosso consciente: pare, isso vai dar errado e você vai sofrer.

Esses sinais aparecem em momentos bem específicos. Se for o começo de uma relação, ele capta os mínimos comportamentos incongruentes da pessoa que você está conhecendo e avisa que ela está mentindo, disfarçando ou agindo de forma parecida a alguma vez que você já tenha sofrido. O mesmo acontece para experiências no trabalho, família, igreja, etc.

O grande problema é que a parte responsável por nossas emoções se sobrepõe a esse aviso, tomando a frente da razão e cegando essa percepção. É aquele momento que nós ignoramos os sinais e insistimos em algo que nosso cérebro já sabe que vai dar errado. Freud chamava isso de “repetição”, uma vez que vamos sempre viver o ciclo novamente por não dar ouvidos à razão e seguir sempre a voz do insconsciente. Alguns chamam de “voz da paixão”, mas é só uma emoção mal resolvida mesmo…

E quando der errado, sabe o que vai acontecer? Uma voz lá dentro de você vai dizer: eu avisei.

“Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”, dizia Paulo em uma de suas cartas.

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