É verdade.
Às vezes, eu sinto saudade.
E acho que ainda sinto porque, de fato, foi bom. Lembro-me dos momentos bons que tivemos, das risadas, das surpresas, dos olhares de provocação, das palavras doces… sim, tudo foi muito bom e, por isso, eu acho que ainda sinto saudade.
Eu sinto saudade porque naquele momento tudo fazia muito sentido, preenchia e me fazia querer nunca mais sair daquele momento. Era uma alegria que me fazia nunca mais querer morrer, a não se se fosse nos seus braços.
Por essas e outras, às vezes, eu ainda sinto saudade.
Mas percebi que a saudade se restante somente a esses momentos. Poucos momentos, eu diria. Um mês, dois, seis… talvez um pouco mais.
A saudade é desses momentos que um dia foram bons, mas que deixaram de existir enquanto ainda estávamos juntos. E foi aí que eu percebi que, mesmo juntos, eu sentia saudade desses momentos e foi por eles que insistimos tanto tempo em algo que não fazia mais o menor sentido.
Sentir saudade de um tempo que passou enquanto ainda estávamos juntos foi o que me fez morrer a cada dia na esperança de que um dia tudo se repetisse.
E então eu aceitei humilhação, xingamentos, abuso, agressões… e disso eu não sinto a menor saudade.
Saudade por saudade, prefiro sentir aquela de algo que ainda pode, verdadeiramente, acontecer de novo, repetir-se.
Porque saudade boa é aquela que podemos matar. O resto é só sentimento de nostalgia.
Que a saudade sirva, também, para lembrar que o que acabou, não tem mais volta. É que ela dê lugar a outro sentimento: a esperança.
Dias melhores virão.


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